Mostrando postagens com marcador Planos Econômicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Planos Econômicos. Mostrar todas as postagens

18 agosto, 2015

Plano Real

Terça...

Hoje reproduzo uma matéria do Jornal do Commercio de Recife/PE sobre o Plano Real, que alguns “lulopetitas” continuam a afirmar que foi péssimo, apesar de se locupletarem do mesmo de forma vil.

Brasil teve sete planos econômicos e dez moedas antes do real

Tripé macroeconômico fez a diferença entre o Plano Real e as demais tentativas fracassadas
Publicado em 01/07/2014, às 09h30.
Por Adriana Guarda

Na manhã daquela sexta-feira, 1º de julho de 1994, o Brasil acordava com o nascimento de sua décima moeda (e sete nomes diferentes). O real “vinha ao mundo” com a promessa de enterrar os anos de inflação corrosiva e de instituir a estabilidade econômica no País. Os bancos abriram mais cedo e um exército de 650 mil funcionários aguardaram a população, nas 15 mil agências da época, para fazer a troca da moeda. Ensandecidos com as contas de multiplicar e dividir para transformar 2.750 cruzeiros reais (Cr$) em um real, os brasileiros precisaram desentocar suas calculadoras das gavetas. Hoje o Plano Real comemora 20 anos de criação, com o País deixando para trás uma inflação de 2.477%, em 1993, e cravando uma taxa de 5,91% no ano passado. Nessas duas décadas, o rendimento médio do brasileiro cresceu quatro vezes e o valor do salário mínimo se multiplicou 11 vezes, passando de R$ 64,79 (em julho de 94) para R$ 724 esse ano.

Ao longo da história, o Brasil bateu recordes de tentativas de estabilização. Desde 1986 foram sete planos econômicos, registrando média de um a cada 14 meses. No dia 28 de fevereiro de 1986, o presidente José Sarney lançou o Plano Cruzado, tentando combater uma inflação de 80% ao mês e resgatar a credibilidade da economia brasileira. O plano substituiu a moeda de cruzeiro (Cr$) pelo cruzado (Cz$) e estabeleceu o congelamento de preços. A população convivia com as tabelas de preços publicadas nos jornais e fixadas nos supermercados. O governo incentivou a figura dos “Fiscais do Sarney” para denunciar os estabelecimentos que tentassem burlar o plano. Houve diversos abusos. Empresários eram vistos como vilões por causa das campanhas equivocadas do governo.

O congelamento acabou reduzindo a rentabilidade dos produtores e provocando desabastecimento no mercado. Quem viveu àquela época lembra das filas e do racionamento na compra de alimentos. “As pessoas só faltavam defender seu refrigerador com espingarda 12”, diz o economista da Ceplan, Jorge Jatobá. O Plano Cruzado fracassou e a inflação voltou ainda com mais força.

Depois vieram os planos Bresser (1987) e Verão (1989), os dois repetindo a fórmula do congelamento de preços. “Todos fracassaram por conta de equívocos na sua concepção teórica”, observa Jatobá. Em março de 1990, Fernando Collor de Mello assume a Presidência da República e lança dois planos econômicos durante sua gestão (Collor I e II), que traumatizaram a população brasileira com a medida impopular de confisco da poupança. Com o impeachment de Collor, o vice Itamar Franco assumiu a cadeira em 1993, ano em que a inflação brasileira atingiu seu maior patamar (2.477%).

Após trocar três vezes de ministro da Fazenda, Itamar convidou Fernando Henrique Cardoso para ocupar o cargo. “FHC reuniu um time de economistas da PUC do Rio com boa formação macroeconômica (Pérsio Arida, Edmar Bacha, André Lara Resende, Gustavo Franco, Pedro Malan) para criar o Plano Real, que foi uma solução brasileira extremamente criativa e sem similar no resto do mundo”, afirma. Foram dez meses de discussão e 55 versões para fechar o projeto.

O Plano Real se alicerçou em três fundamentos: ajuste fiscal, desindexação da economia e política monetária restritiva. Os brasileiros também perceberam a diferenciação do plano, porque ele foi aplicado em etapas. Uma delas foi a criação da Unidade Real de Valor (URV), em março de 1994. A URV era uma espécie de moeda virtual, com valor atrelado ao dólar. “A criação da URV foi um golpe de mestre para desindexar a economia. Ela era como uma bola de festa que foi enchendo com a inflação e, no dia 1º de julho de 94, foi estourada e ganhou paridade com o real”, destaca Jatobá. O economista lembra que além da URV, em 1999 foi criado o regime de meta de inflação e no ano seguinte a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para controlar a sanha gastadora dos governos. Em paralelo, o governo adotou medidas como o aumento da taxa de juros para restringir a atividade econômica e segurar a inflação.

Minha mãe costuma dizer que faço parte da geração da estabilidade econômica. Ela conta que os anos de inflação eram muito difíceis. As pessoas precisavam comprar muita comida e armazenar, porque os preços estavam sempre mudando e o salário desvalorizava”, diz o estudante de história da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Francisco Pedrosa, que nasceu em março de 1994. Distante dos tempos de inflação galopante, o jovem conta que consegue planejar seus gastos. A bolsa de R$ 400 que recebe de um programa de iniciação científica é gasto com alimentação, livros, xerox e transporte.

“A grande contribuição do Plano Real foi melhorar a vida do povo brasileiro. A população não suportava mais os anos atormentados pelas máquinas de remarcação de preços. O governo Lula manteve o tripé do programa, mas a gestão Dilma começou a negociar essas premissas e a afrouxar no controle dos gastos. É preciso tomar cuidado para que a conquista de ganho real que a população experimentou não vá por água abaixo”, alerta o professor de macroeconomia da UFPE, Marcelo Eduardo.